Gagueira: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

por Simon Wajntraub

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Gagueira tem cura

Gagueira: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Gagueira é uma anomalia da fala relativa à temporalização (ou seja, o tempo de pronúncia dos sons, palavras, sílabas e frases), que acomete a comunicação e a fluência. A cada som da fala corresponde um tempo considerado normal para ser dito. Tal tempo é dependente da região do cérebro na qual é produzida a fala. No que diz respeito à gagueira, certos sons possuem um tempo de execução maior, e esse tempo de execução interfere na fluência.

A fluência refere-se à suavidade e à facilidade com que os sons, palavras, sílabas e frases são produzidos durante o processo da fala. Em pessoas gagas, o processo da fala é trabalhoso e a conexão entre sons, palavras, sílabas e frases não é involuntária ou espontânea, como acontece com aqueles que não são acometidos da anomalia.

A gagueira tem sua origem na infância, podendo persistir, ou não, na vida adulta.

Em média, 5% da população mundial é acometida pela gagueira durante o desenvolvimento da linguagem, o que poderá tornar-se crônico, a depender de vários fatores que possam estar relacionados. A gagueira crônica atinge aproximadamente 1% da população mundial. Isso se traduz em cerca de 70 milhões de pessoas no mundo, dentre as quais 2 milhões vivem no Brasil.

Causas da Gagueira

Hoje, a ciência entende a gagueira como uma disfunção causada por vários fatores. Alguns deles, que favorecem o surgimento da gagueira, são:

Genética

Estudos científicos comprovam a existência de genes envolvidos no surgimento e na permanência da gagueira. Por isso, comum é o fato de mais de um membro da família ser acometido por essa condição.

Condições Médicas

Além da genética, a gagueira pode ser consequência, ainda, de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), de lesões intracranianas (traumatismos cranioencefálicos –TCE) pré, peri ou pós-natal ou de outros problemas, como, por exemplo, febre reumática.

Fator Social

Ocorre quando a criança, dotada de pré-disposição orgânica, está inserida em um ambiente escolar ou familiar propício ao desencadeamento da gagueira. Essa condição está mais propensa a aparecer quando um desses ambientes é muito agitado ou quando nele estão inseridas pessoas que falam muito rápido ou que usam a linguagem com uma complexidade superior àquela adequada à criança.

Fator Psicológico

A gagueira não á causada por problemas emocionais. Ao contrário, comprovou-se que a vivência de uma fala gaguejada pode trazer alguns dificultadores para a pessoa, repercutindo em problemas psicológicos para a mesma. Fatores emocionais não podem ser cientificamente entendidos como causadores da gagueira, mas apenas agravantes da mesma. Crianças que ainda não manifestaram a gagueira na fala podem desenvolvê-la ao enfrentarem determinada situação de maior impacto; no entanto, isso só acontecerá se houver predisposição para a condição, o que, sabemos, não é a maioria.

Fatores de risco

São fatores que aumentam os riscos de a gagueira se manifestar nas crianças, entre os quais destacam-se ter histórico de gagueira na família; desenvolvimento infantil atrasado; ser do gênero masculino (até a adolescência, aproximadamente 5% das crianças poderão gaguejar; dessas, 50% são meninos; não obstante, os meninos estão mais sujeitos ao desenvolvimento da gagueira crônica, uma vez que, nas meninas, a taxa de remissão espontânea é maior); gagueira que perdura por oito ou mais semanas na criança.

É importante destacar que, sem a pré-disposição orgânica, nenhum desses fatores irá influenciar no desenvolvimento da gagueira.

Sintomas

São alguns sintomas da gagueira: os sons são prolongados, ou seja, o som se arrasta por um período maios do que o esperado (exemplo: “por ffffavor, aabraaaa a porta!”); os sons são bloqueados, ou seja, a articulação de alguns sons fica impossibilitada (exemplo: “(silêncio) por favor, abra a porta”); sons e sílabas se repetem (exemplo: “po-po-por favor, a-abra a porta”); expressão de tensões faciais, piscar de olhos, tremores de lábios, dentre outros movimentos involuntários.

Durante a fala, palavras são trocadas. Ao perceber que irá gaguejar, antes mesmo de pronunciar uma palavra, a pessoa acometida pela gagueira a troca por um sinônimo. Ou seja, o mal da gagueira é pré-motor – o gago recebe pistas de que aquele determinado som não será articulado aproximadamente 450 milissegundos antes de pronunciá-lo. Se, por exemplo, ele tinha a intenção de dizer “por favor”, mas nota que irá gaguejar na palavra “favor”, ele altera a palavra, dizendo “por obséquio”.

Interjeições são utilizadas com maior frequência. Exemplos: “tipo assim... então... né?!”. As frases são simplificadas. Ao perceber que vai gaguejar em determinada palavra ao receber “pistas motoras”, a pessoa retira-a ou a substitui por outra de articulação mais simples na frase.

Palavras, frases e expressões são iniciadas/pronunciadas com dificuldade. Palavras e sons são produzidos sob excesso de tensão.

Devido às várias experiências com a gagueira, a pessoa acometida de gagueira enfrenta ansiedade ao iniciar a fala. Para que a comunicação se dê de forma eficaz, a capacidade é limitada.

Diagnóstico e Exames – buscando auxílio médico

Como dito anteriormente, 5% das crianças apresentam fluência alterada. Se a gagueira persistir por mais de 8 semanas, faz-se necessária a procura por um fonoaudiólogo especialista na área. Em geral, pediatras e demais médicos não estão atualizados em relação às recentes descobertas da ciência acerca da gagueira crônica. E, diante disso, muitas vezes erram ao pedir para esperar.

O pior diagnóstico que um pai pode receber sobre a fala de seu filho é o “espera que passa”.  Sim, há, de fato, grande chance de alcançar a remissão espontânea – cerca de 80%. No entanto, crianças predispostas à gagueira, que correm risco de cronificação, estarão perdendo um precioso tempo de reabilitação. Uma criança com gagueira não precisa ser necessariamente um adulto com gagueira.

Contate um fonoaudiólogo especializado em fluência caso a gagueira: dure mais do que 8 (oito) semanas; seja acompanhada de outros problemas de linguagem e de fala; tenha a intensidade ou quantidade de rupturas aumentadas ao longo do tempo, considerando o período de oito semanas; ocorra visivelmente com dificuldade para falar; afete a capacidade de comunicação da criança; cause problemas emocionais, como estresse ou ansiedade; comece na idade adulta.

Na consulta médica

O fonoaudiólogo é o profissional especialista em diagnosticar a gagueira. Preparar-se para a consulta, pode otimizar o tempo e facilitar o diagnóstico. Assim, ao chegar à consulta, você já pode ter em mãos algumas informações, quais sejam:

  • uma relação das observações dos comportamentos de fala e há quanto tempo eles apareceram;
  • histórico médico que demonstre outras condições do paciente, como acontecimentos pré-natais ou ocorridos durante o parto, infecções de garganta, e medicamentos ministrados à criança com regularidade, como cloridrato de metilfenidatoitalina, homeopáticos, broncodilatadores etc.
  • se possível, é importante que ambos os pais participem da consulta.

Na consulta, serão feitos diversos questionamentos, tais como: Quando a gagueira foi notada pela primeira vez? A gagueira vai e volta ou é frequente? Algo parece melhorar a gagueira? Algo parece piorar a gagueira? Na sua vida (ou na vida do seu filho), quais os efeitos tem a gagueira? Na sua família, mais alguém tem gagueira?

É válido também levar suas dúvidas por escrito para a consulta. Isso garante que, antes mesmo de a consulta acabar, você conseguirá respostas para todas as perguntas importantes. São perguntas básicas referentes à gagueira: Qual a causa da minha gagueira (ou da gagueira do meu filho)? Que exames devem ser feitos? Esta condição demorará muito tempo ou é apenas temporária? Quais são os tratamentos disponíveis e por você recomendados? Há alguma alternativa ao tratamento por você sugerido? Para que eu me informe mais a respeito da gagueira, existe algum informativo, site ou livro que você recomenda? Caso outras perguntas ocorram durante a consulta, não hesite em fazê-las.

Diagnóstico de Gagueira

Ainda não existe um padrão usado mundialmente para o diagnóstico da gagueira, infelizmente. Entretanto, o diagnóstico é normalmente realizado por meio da contagem da quantidade de rupturas na fala em um certo tempo, do mapeamento dos tipos de disfluências presentes na fala, da análise da naturalidade e do ritmo da fala e da observação da tensão e dos movimentos associados. Seria fundamental que os diagnósticos de gagueira iniciassem imediatamente após o período de não fluências de oito meses.
Mas há muitos pais que procuram esse recurso antes do prazo de oito meses para terem a certeza de que esteja tudo bem com o seu filho. Assim, já podem receber relevantes informações para, nas duas semanas que se seguirem, observarem a evolução do que ocorrerá.

Tratamento e Cuidados

Há vários tratamentos disponíveis para combater a gagueira. O tipo do tratamento utilizado deverá ser compatível com a idade do paciente e com os objetivos de comunicação específicos de cada um, principalmente se a pessoa acometida pela gagueira já for adulta, sendo que, além desses, outros fatores devem ser observados. Se você ou seu filho gaguejam, é fundamental procurar um fonoaudiólogo para que ele indique o melhor tratamento disponível.

Convivendo / Prognóstico

Para ajudar os filhos, que gaguejam, os pais podem tomar algumas atitudes: ouvi-los com atenção e naturalidade enquanto falam; separar um tempo para conversar com eles, sem distrações; falar sem pressa, devagar, sem, no entanto, perder a naturalidade da fala; incentivar todos os membros da família a serem bons ouvintes; criar um ambiente o mais relaxante e tranquilo possível; durante interações diárias, evitar de chamar atenção para a gagueira; aceitá-los criança como eles são; não punir, não criticar, enfim, não reagir negativamente à gagueira. tenha sempre em mente que a gagueira é individual, intermitente e involuntária.

Possíveis complicações

Pessoas gagas geralmente falam menos, o que poderá interferir qualitativa e quantitativamente nos objetivos a serem atingidos. A gagueira pode influenciar a vida profissional e pessoal, gerando frustrações e insatisfações.

Expectativas

A gagueira pode ser curada. É melhor que o tratamento seja iniciado precocemente, assim que se iniciarem as manifestações. Assim, a criança tem de 98% a 100% de expectativa de superar o mal. Quanto maior a espera, menores são as chances de cura. Isso porque quanto antes se iniciar o tratamento, com uma intervenção adequada, maiores serão as chances de remissão total.

Prevenção

Não há como prevenir a origem da gagueira, entretanto, é possível obstar a evolução do quadro e obter também a sua remissão. A detecção precoce e a imediata intervenção permitem que a gagueira não se torne crônica.

Consultas e Atendimentos sobre Gagueira

O Fonoaudiólogo Simon Wajntraub é a maior referência do Brasil em cura da gagueira.

As consultas podem ser marcadas por telefone – não há a necessidade de se dirigir ao local de atendimento para marcá-las – e podem ser realizadas, pessoalmente, nas cidades de São Paulo, Brasília, Campinas ou Rio de Janeiro (em Copacabana ou na Barra da Tijuca), ou pela Internet. Todos os atendimentos devem ser marcados com antecedência.