Causas da Gagueira

por Simon Wajntraub

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O que causa a gagueira?

Causas da Gagueira

Ao longo dos séculos, várias teorias sobre as causas da gagueira, e seus respectivos métodos terapêuticos, têm sido propostas. Na Grécia Antiga, as teorias referiam-se à secura ou aspereza da língua. Mais tarde, século XIX, a causa do distúrbio foi atribuída a anomalias do aparelho fonador. Assim, o tratamento baseava-se em uma ampla cirurgia plástica consistente na remodelação da boca e da garganta, ou seja, do aparelho fonador como um todo, ocasionando frequentemente mutilações e incapacidades adicionais. A literatura científica revela que outras formas de tratamento eram a colocação de próteses ajustáveis à boca ou ainda a amarração de pesos à língua.

No século XX, acreditou-se inicialmente que a gagueira era uma desarmonia de natureza psicogênica, ou seja, própria de fenômenos somáticos com origem psíquica. Consequentemente, abordagens psicoanalíticas e terapias comportamentais foram utilizadas para solucionar os possíveis conflitos neuróticos. Entretanto, padrões psicológicos determinantes que pudessem ser associados à condição da gagueira não foram detectados nos estudos baseados na análise de traços de personalidade e das interações entre pais e filhos.

Atualmente, a gagueira ainda é uma das áreas mais intrigantes e fascinantes no campo dos distúrbios da fala. Muito embora persistam inúmeras questões a seu respeito e ainda não se tenha estabelecido a sua etiologia, ou seja, suas causas e origens, sabe-se que a gagueira é patologia causada por diversos fatores, que podem auxiliar no seu diagnóstico, ainda que esta não seja tarefa simples.

Ao se investigar o princípio da gagueira em crianças, observou-se que, na maioria delas, não era possível afirmar com certeza quais os fatores responsáveis pelo seu desenvolvimento. Na maior parte dos casos não havia aparentes conflitos, oportunidades de imitação, doenças, experiências de medo ou choques. O distúrbio parecia se iniciar em normais condições de comunicação e de vida. Diante disso, nos casos onde há um sinal claro do surgimento da gagueira, deve-se ficar atento para não confundi-la com outro distúrbio da fluência. Não obstante existam algumas correntes de pesquisas que tentem explicar as possíveis causas da gagueira, como, por exemplo, a que considera a gagueira como um comportamento aprendido (causado por desfavoráveis estímulos externos, normalmente reações negativas dos pais a episódios normais de disfluência na criança), nenhuma delas põe fim ao assunto, dando conta de toda a sua complexidade. Pesquisas atuais tendem a defender a multicausalidade da gagueira, ou seja, consideram-na causa de uma inter-relação de fatores genéticos, orgânicos, linguísticos, sociais e psicológicos.

Em relação aos fatores genéticos, há de se observar, inicialmente, que a gagueira tende a ocorrer em famílias que possuem outros membros que também gaguejam, ou gaguejaram. Comparando-se com a população em geral, o risco para a gagueira é três vezes maior entre parentes de primeiro grau de indivíduos que gaguejam. Metade ou um terço desses indivíduos dizem possuir um membro de sua família que gagueja ou que já gaguejou.

Estudos científicos evidenciam a transmissão genética, principalmente a partir dos estudos com gêmeos. Gêmeos monozigóticos (univitelinos) têm maiores probabilidades de ambos se tornarem gagos - 70% - do que gêmeos dizigóticos (fraternos) – 30%. Além disso, para irmãos do mesmo sexo a concordância de aproximadamente 18%. Acredita-se, de fato, que a predisposição para gaguejar deva ser determinada por fatores genéticos. Por isso, é comum o fato de mais de um membro da família ser acometido por essa disfunção. Exemplo disso, o que reforça ainda mais a suspeita de que a gagueira provavelmente possui uma base genética ou componente hereditário, é o fato de que Charles Darwin, naturalista britânico, gaguejava e, curiosamente, seu avô, Erasmus Darwin, também sofria do mesmo problema.

O fator orgânico refere-se às situações em que o cérebro da criança foi externamente agredido durante a sua formação intrauterina. Em partos muito demorados, por exemplo, a oxigenação do cérebro do recém-nascido pode ser diminuída e consequentemente ocasionar uma disfunção de fluência futura, como a gagueira.

Já o fator social, que pode ser favorável ao surgimento da gagueira, ocorre quando a criança, dotada de pré-disposição orgânica, está envolvida em um ambiente escolar ou familiar propício ao desencadeamento da gagueira. Ambiente esse agitado, composto de pessoas que falam muito rápido e se utilizam de uma linguagem de complexidade superior àquela conveniente à criança.

Por fim, o fator psicológico é responsável pelo medo ou insegurança no momento da fala. Mas atenção: alguns sintomas psicológicos são, de fato, causas da gagueira; outros, no entanto, são consequências dela. Comprovou-se cientificamente que a gagueira é uma desordem de fluência não causada por distúrbios emocionais. Ao contrário, a vivência de uma fala gaguejada pode ser o início de problemas psicológicos para a pessoa. Fatores emocionais não causam a gagueira, apenas agravam-na. Crianças que ainda não manifestaram a gagueira, ao enfrentarem determinada situação de grande efeito, podem desenvolvê-la; no entanto, isso só acontecerá se houver predisposição para a condição, o que, sabemos, não acontece sempre.

A gagueira tem cura

Existem algumas ocasiões nas quais as pessoas que são gagas não gaguejam, ainda que seu problema seja severo em instantes críticos.

Diante desse fato, é lógico afirmar que os fatores que causam essa anomalia da fala não guardam relação direta com os órgãos fonoarticulatórios.

Embora não se tenha dados conclusivos sobre o assunto, a experiência de cinco décadas do Fonoaudiólogo Simon Wajntraub evidencia que a grande maioria dos casos de disfemia atendidos por ele tem natureza psíquica.

Consciente desses obstáculos para o conhecimento das causas específicas da gagueira, o Fonoaudiólogo Simon Wajntraub colocou em segundo plano a pesquisa da causalidade para se dedicar ao tratamento e cura dos efeitos da gagueira, atendendo às reais necessidades do portador da síndrome: ele já convive com as causas da gagueira todos os dias, e possivelmente permanecerá convivendo com elas. Portanto, afastar-se das suas causas é uma medida paliativa: é preciso superá-las ao invés de fugir delas.

É essa filosofia que marca o sucesso do Método do Instituto Simon Wajntraub: o paciente realmente aprende e se empanha para superar o problema e suas causas, quaisquer que possam ser, pois ele é colocado diante de todas as situações mais problemáticas que fazem ou que possam fazer ele gaguejar, e é guiado à superação (e não à fuga!) para que, quando essas circunstâncias críticas se fizerem presentes, não lhe resgatem a gagueira.

Consultas e Atendimentos sobre Gagueira

O Fonoaudiólogo Simon Wajntraub é a maior referência do Brasil em cura da gagueira.

As consultas podem ser marcadas por telefone – não há a necessidade de se dirigir ao local de atendimento para marcá-las – e podem ser realizadas, pessoalmente, nas cidades de São Paulo, Brasília, Campinas ou Rio de Janeiro (em Copacabana ou na Barra da Tijuca), ou pela Internet. Todos os atendimentos devem ser marcados com antecedência.